Linguagem Corporal: Como Analisar o Contexto?
Eduardo Vaz (92 artigos)
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Linguagem Corporal: Como Analisar o Contexto?

O significado e a interpretação da linguagem corporal variam muito de acordo com o contexto e o ambiente. Observe o vídeo abaixo e tente extrair um contexto – veja se consegue!
 
Alguns comportamentos não-verbais são adequados para determinadas situações, mas totalmente indevidos em outras, e outros assumem significados completamente diferentes de acordo com a circunstância.


Difícil analisar o contexto na cena introdutória do filme Laranja Mecânica. O que podemos sentir facilmente é o suspense que se causa com os diversos elementos (cílios postiços, leite, manequins nus de mulheres etc.) completamente fora de qualquer contexto que conhecemos, indo da curiosidade ao terror. 


Por isso analisaremos conceitos sobre o contextualizar em âmbito de linguagem corporal, isto, a fim de facilitar a compreensão de como  o contexto e o ambiente podem influir na linguagem corporal, tanto em termos de adequação quanto de significado.


1. Como o contexto e o ambiente influenciam a linguagem corporal?

 

Essa pergunta quem nos responde com propriedade é Kevin Hogan, quando afirma:

O contexto e o ambiente influenciam a linguagem corporal de maneiras óbvias ou sutis. Algumas estão associadas a regras sociais, mas outras se relacionam à experiência de vida, e outras a traços da personalidade ou da auto-estima das pessoas. Existem ainda diferenças geracionais, associadas ao gênero e ao contexto cultural.

Como dito pela citação acima, tudo depende de como percebemos as coisas. Como você interpreta o contexto e o ambiente no qual você está nesse momento? Se estiver na sua casa, é provável que esteja usando roupas folgadas talvez saboreando um refrigerante ou um café. A televisão ou o sistema de som fazem barulho ou talvez venha de outra pessoa presente no ambiente. Pode ser que você esteja fazendo anotações conforme avança na leitura e, em caso positivo, é provável que as registre em alguma folha separada.

Entretanto, se você está num ambiente de trabalho, é mais provável que esteja vestido com trajes sociais, sentado à sua mesa ou à da sala de reuniões, ouvindo os sons típicos do escritório. Talvez você tenha por perto um arquivo, onde guarda suas planilhas, documentos e eventuais anotações feitas durante a leitura de algum livro ou similar.
 

Por que existem essas diferenças? Conforme Kevin Hogan afirma:

Em parte por causa de sua percepção do contexto e do ambiente no qual está atuando. Algumas das categorias mais comuns são:

1. Formalidade;

2. Privacidade;

3. Familiaridade;

4. Acolhimento;

5. Distância;

6. Contrariedade;

7. Tempo;

8. Outras pessoas;

9. Ambiente físico.

 

O modo como você percebe cada um desses fatores (e como os mesmos fatores são percebidos por outras pessoas) constitui uma força propulsora para a adequação e o significado da sua linguagem corporal.

Isso recai num aspecto interessante, que será esclarecido logo abaixo.

 

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2. Mesma linguagem corporal, percepções distintas.

 

Dependendo do contexto e do ambiente, a mesma linguagem corporal pode apresentar significados bem diferentes. Isso pode acontecer quando nos encontramos em um ambiente pouco familiar, no qual não conhecemos as expectativas, ou quando as pessoas que nos cercam encaram a situação em um contexto diferente. As diferenças culturais, de gênero e de idade também podem alterar nossas percepções de linguagem corporal.

O acima dito ocorre conforme o exemplo dado por Kevin Hogan, confira:

Um exemplo é o caso do homem que fala de forma convincente e adota uma postura corporal ereta e firme. Provavelmente, a leitura que as pessoas farão é que se trata de alguém capaz, valoroso e determinado no ambiente corporativo. Se um mulher age da mesma forma, porém, será interpretada como agressiva, ousada e inspira precaução. Já em um ambiente militar, tanto um homem quanto uma mulher com essa forma de agir serão identificados como pessoas capazes e eficientes.

Ainda Hogan dá outro exemplo, entenda:

Outro exemplo: você está dando uma aula para um grupo de alunas e percebe que uma delas está de jogada na mesa, segurando a cabeça, com postura desleixada e ar de tédio. Para você, ela não está prestando atenção ao que está sendo apresentado. Mais tarde, ao passar pelo centro acadêmico vê a aluna com uma postura idêntica. Agora sua leitura é diferente: a garota parece cansada, contrariada e talvez frustrada com alguma coisa. Você viu a mesma linguagem corporal em ambientes e contextos distintos e chegou a conclusões diferentes.

Algumas vezes, porém, as diferenças de contexto ou de ambiente não são tão claras ou tão fáceis de serem identificadas. Hogan ilustra novamente em seu livro essa situação, vejamos:

Um exemplo é o caso das piscadas. Quando alguém pisca diversas vezes, a interpretação comum é a de que está nervoso ou até fingindo, sempre que não houver um razão física óbvia para esse comportamento não-verbal. Mas e se houvesse um motivo não tão óbvio? Alguns medicamentos, por exemplo, causam efeitos colaterais que podem incluir o rápido abrir e fechar de olhos. Não é o tipo de conclusão que você chegaria de forma direta, nem algo que se tornaria imediatamente óbvio.

Observa-se então que a análise do contexto é importante para uma interpretação realista da linguagem corporal propagada. Sendo, ainda, que pode haver conflitos entre a linguagem corporal e o contexto.

 

3. E quando há conflitos entre a linguagem corporal e o contexto?

 

Quando ocorrem conflitos entre a linguagem corporal e o contexto, a maioria das pessoas não hesita em valorizar mais o que captam pela linguagem corporal. E por que isso acontece? Hogan novamente esclarece:

Porque em geral é bem mais difícil representar por meio de elementos da linguagem corporal e dos comportamentos não-verbais do que por meio de palavras ou do discurso. As palavras podem dizer uma coisa, mas se a linguagem corporal afirmar algo diferente, as pessoas tenderão a confiar mais nos sinais não-verbais.

 

Vale ressaltar, porém, que nem todos os indivíduos dão mais crédito aos comportamentos não-verbais em casos de conflitos de mensagens. Pode ser que não costumem prestar atenção à linguagem corporal ou talvez tenham uma opinião positiva preconcebida sobre o emissor das mensagens. Neste último caso, a opinião positiva tende a predominar sobre aspectos negativos de uma mensagem conflitante, ao menos por um tempo.

Caso sua linguagem corporal não seja considerada indicada ou normal para o contexto no qual ocorre, a tendência é que as pessoas dêem três passos básicos na intenção de compreender e solucionar o conflito, conforme Kevin Hogan:

1. Elas se sentem confusas e inseguras na intenção de compreender e solucionar o conflito.

2. Tentam descobrir o que está havendo a partir de outras informações e pistas que possam explicar o aparente conflito.

3. Se não conseguirem encontrar a informação de que precisam para explicar o conflito, é possível que tenham uma reação negativa em relação a você.

Algumas vezes, porém, a linguagem corporal e o contexto estão em conflito aberto. Uma discussão sobre ironia ou o uso do sarcasmo quase sempre inclui algum tipo de linguagem corporal (movimento, tom de voz etc.) que contrasta com o contexto e a situação específica. Abaixo, um grande exemplo da linguagem corporal predominantemente de sarcasmo, veja só:

Vale frisar que o importante aqui é que os conflitos entre o contexto e a linguagem corporal são inevitáveis e não existe uma maneira clara e certa de determinar como as outras pessoas os percebem e que soluções encontraram. Se você é o emissor das mensagens, é do seu interesse reduzir ao mínimo o conflito exteriorizado; mas se for o receptor, caberá a você fazer os esforços para solucionar o conflito sem recorrer à especulação e a opiniões sem fundamento.
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4. Aspecto importante: A leitura das pessoas começa com o contexto.

 

Ser capaz de ler as pessoas é bem mais do que apenas observar os gestos e traduzi-los em palavras. A compreensão do que esses gestos realmente revelam é bem mais abrangente do que dizem as palavras e a linguagem corporal.

Como Hogan afirma: 

Na verdade, a tradução da comunicação não-verbal (linguagem corporal, contexto, uso do espaço, símbolos, vestimentas e tempo) está bem mais associada à linguagem secreta de influência que usamos todos os dias. Infelizmente não existem muitos padrões universais na linguagem oculta.

Por fim, vale frisar que o primeiro aspecto que deve procurar se ter em mente ao avaliar conscientemente a comunicação e a linguagem corporal de uma pessoa é o contexto. Nada tem mais importância que isso.

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Até já…

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Eduardo Vaz

Eduardo Vaz

Bacharel em Direito, Conciliador do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, Hipnólogo formado por Olimar Tesser, Practitioner de Hipnose, Estudioso da Área Linguagem Corporal, Microexpressões Faciais, Leitura Fria, Mentalismo, Vidência, Membro da IFGE (The International Foundation for Gender Education), Empreendedor Digital na Área de Marketing Digital e Relações Humanas, Administrador e Colaborador do Site Body Language Brazil.