Memória a Curto Prazo – Definição e Como Melhorar Sua Memória
Eduardo Vaz (92 artigos)
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Memória a Curto Prazo – Definição e Como Melhorar Sua Memória

O que sabe sobre memória a curto prazo?

Como ela age e como ela é benéfica para gente?

Como posso exercitar a minha memória a curto prazo?

Se você quer saber as respostas para essas perguntas, proponho que leia até o final desse artigo…

Antes de começarmos, vale dizer que o nome correto dessa memória que vamos tratar é Memória de Trabalho. Na verdade, esse modelo de Memória de Trabalho advém de um estudo realizado por Baddeley, que propõe dois “sistemas escravos” (também conhecido como sistema de apoio) que são responsáveis pela manutenção de curto prazo da informação e um outro, o sistema “executivo central” cuja responsabilidade é pela supervisão da integração da informação, e também por coordenar os sistemas escravos.

Ok, entendi. São dois os “Sistemas Escravos”. Mas como eles funcionam?

Um sistema escravo, o laço fonológico ou ciclo fonológico, armazena informação auditiva e previne seu decaimento continuamente articulando seu conteúdo, atualizando a informação em um laço recitativo. Ele pode, por exemplo, manter um número de telefone de sete dígitos por tanto tempo quando se deseje, desde que o número seja repetido constantemente.

Bem, um outro “sistema escravo” é a área de armazenamento visuo-espacial, que armazena informações visuais e espaciais. Baddeley descobriu que a área de armazenamento pode ser dividida em subsistema visual (que trata, por exemplo, de forma, cor e textura) e subsistema espacial (que trata de localização).

Bem, agora que conhecemos os dois “sistemas escravos”, que tal falar do sistema “executivo central”, o carro chefe da memória de trabalho?

O “executivo central” é, dentre outras coisas, responsável por direcionar atenção a informação relevante, suprimindo a informação irrelevante e ações inapropriadas, e por coordenar processos cognitivos quando mais de uma tarefa tem de ser feita ao mesmo tempo.

Nos estudos de Beddeley há presença ainda de um quarto componente, o buffer episódico, que guarda representações integradas da informação fonológica, visual e espacial e possivelmente informação não coberta pelos sistemas escravos (por exemplo, informação semântica e musical). O componente é episódico porque assume-se que ele amarre informação em uma representação episódica unitária. O buffer episódico lembra o conceito de memória episódica de Endel Tulving, mas difere porque o buffer episódico é um depósito temporário.

Ivan Izquierdo é um médico e cientista naturalizado brasileiro. Construiu sua carreira na Argentina e foi pioneiro no estudo da neurobiologia da memória e do aprendizado. Destaca-se entre os cientistas mais citados em todas as áreas do conhecimento.

Izquierdo foi autor de diversas obras, uma delas o livro Questões Sobre a Memória, obra qual ele definiu com perfeição a caracterização da Memória Humana. Izquierdo escreveu:

A Memória Humana é caracterizada pela capacidade dos seres humanos de adquirir, conservar e evocar informações através de dispositivos neurobiológicos e da interação social. Os principais sistemas de memória reconhecidos pela psicologia cognitiva são a memória sensorial, a memória de trabalho (também chamada de memória operacional, a memória de curta duração) e a memória de longa duração. Esta última se divide em memória declarativa (subdividida em memória episódica e memória semântica) e memória de procedimentos.

Como vimos temos bastante trabalho pela frente, pois quero nessa publicação lhe apresentar de forma simples, mas coerente, como essas memórias trabalham e como elas são aplicadas no nosso dia-dia.

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Memória a Curto Prazo e a Longo Prazo

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O professor José Lino Bueno, do Departamento de Psicologia Cognitiva e Educação da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto, conceitua a memória como um conjunto de procedimentos que permite manipular e compreender o mundo, levando em conta as singularidades subjetivas (experiências individuais) de cada pessoa, sendo que podemos recriar o mundo real em ações e na nossa imaginação.

Na verdade, como vimos, existem diversos tipos de memórias que se unem para formar o que chamamos vagamente de “A Memória”, esta que usamos no dia-dia. No caso da MEMÓRIA DE TRABALHO, nós a utilizamos em ocasiões rápidas como por exemplo, quando retemos um número de telefone apenas pelo tempo que suficiente para que possamos discar o mesmo no telefone.

Essa memória de trabalho não possui um sistema capaz de guardar as informações por meses, anos. Ela possui uma característica peculiar, sua capacidade de armazenamento de informação é muito baixa – alguns segundos ou no máximo poucos minutos.

A memória de trabalho é responsável também por gerir a nossa realidade. Além disso, esta memória também é responsável por determinar se a informação que chegou aos nossos sentidos é útil e se deve realmente ser armazenada, e ainda verificar se existem outras informações semelhantes em nossos arquivos de memória e, por último, se esta informação deve ser descartada quando já existe ou não possui utilidade.

Lino bueno afirma que a memória de curto prazo está ligada com a memória de curto prazo. Explico: a memória de longo prazo tem o objetivo de formar arquivos e armazenar em nossas mentes, informações estas que podem durar minutos, horas, dias, meses e décadas. Para citar um exemplo vale lembrar das nossas lembranças de infância ou de conhecimentos que adquirimos na escola. Lino afirma o seguinte:

Os sistemas de curto e longo prazo de memória estão ligados, transferindo informações continuamente de um para o outro. Quando necessário, o conteúdo da memória de longo prazo é transferido para o armazenamento da memória de curto prazo. O sistema de curto prazo ou memória de trabalho recupera as memórias, tanto de curto quanto de longo prazo.

Vamos para exemplos mais práticos deste tipo de memória?

Quem nunca se esqueceu do nome de alguém que acabou de conhecer? Ou então tinha que memorizar um número de telefone apenas para rediscar e logo antes do último dígito já não sabia mais a sequência? Ou então foi a algum shopping ou hipermercado e se esqueceu de onde tinha guardado o carro?

Quando acontece algum dos tipos de fenômeno acima, devemos ter em mente que estamos falando da nossa memória a curto prazo ou de trabalho.

Vale mencionar ainda a teoria de Nelson Cowan.

Cowan trata a memória de trabalho como uma parte da memória de longo prazo. As representações na memória de trabalho são uma parte do conjunto das representações da memória de longo prazo. Para Cowan a memória de trabalho é organizada em dois níveis embutidos, qual iremos abaixo falar rapidamente sobre eles…

O primeiro nível consiste de representações de memória de longo prazo que são ativadas. Pode haver um grande número delas, pois não há limite para a ativação de representações na memória a longo prazo.

O segundo nível é chamado de foco de atenção. O foco é considerado limitado em capacidade e guarda até quatro representações ativadas. Klaus Oberauer estendeu o modelo de Cowan adicionando ainda um terceiro componente, um foco de antenção mais estreito que armazena uma única fatia a cada momento. O foco limitado a um elemento é embutido no foco quadrielementar e serve para selecionar uma única fatia para processamento.

Você pode estar se perguntando: “Tá Edu, eu entendi sobre essa memória a curto prazo, mas como posso fazer para trabalhar e desenvolver ela?”.

Eu respondo: Podemos trabalhar ela treinando-a diariamente. Como disse anteriormente, a nossa memória a curto prazo é responsável por cuidar da realidade física. Os neurocientistas têm comprovado que a perda de memória a curto prazo não se deve à redução do número de conexões nervosas, bem como pela não utilização dos dentritos com frequência.

Deixe-me explicar melhor.

Assim como um músculo atrofiado em virtude da falta de exercício, a memória a curto prazo também atrofia-se caso façamos sempre as mesmas coisas no piloto automático. Imagine os dentritos como se fossem a antena de TV da nossa casa. Ela recebe ondas e transforma-as em sinais elétricos. O dentrito é um receptor de estímulos que transforma esses estímulos em impulsos (sinais elétricos).

A memória de curto prazo “é a sua memória atual, aquela que você está usando neste exato momento e que está te ajudando a ler este artigo e dar a ele algum sentido. Se sua memória de curto prazo passa num piscar de olhos, é hora de tratá-la…

Podemos exercitar os a memória a curto prazo da seguinte forma…

 

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EXERCÍCIOS PARA
MEMÓRIA A CURTO PRAZO

 

1 – O Jogo da Memória

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Muito popular essa brincadeira, mas muito importante para qualquer pessoa que queria treinar a memória a curto prazo. Esse jogo estimula as sinapses mentais e faz a memória trabalhar mais. Ao realizar essa brincadeira simples, você ativará a transmissão dos seus dentritos, colocando eles para trabalhar, transformando ondas em impulsos e aumentando inconscientemente a sua atividade cerebral.

Nossa dica é para você reservar no começo 5 minutos do seu dia para jogar o jogo da memória, de preferência pela manhã, para você poder ativar sua atividade cerebral de forma limpa, após uma boa noite de sono.

Você também pode criar seu próprio jogo da memória para estudos e decorar qualquer coisa. As empresas que fabricam essas cartas de memória estimulam crianças e jovens, mas você pode estimular seu estudo. Por exemplo: Você precisa decorar conceitos sobre um determinado tema. Escreva uma ficha com o nome e a outra com o conceito, após escreva outras duas fichas com outro conceito e assim sucessivamente…. Após fazer os 10 conceitos (totalizando 20 cartões de memória com o nome e conceito), misture-os, ligue o cronômetro e busque encontrar com a memória cada nome e conceito correto entre as fichas embaralhadas.

Dica: ANOTE as respostas certas para conferir caso haja dúvida. Você treinará de forma aguçada sua memória se fizer isso durante alguns dias, ou até mesmo 1 dia antes da prova.

2 – Quebre Seus Padrões

 

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Muitas coisas nós fazemos no piloto automático. A que eu mais gosto de mencionar é a mão com que você abre a porta do carro. É tão automático que nunca paramos para pensar sobre o fato de que ou utilizamos sempre a mão esquerda, ou direita. No meu caso, é a direita. Eu abro tudo com a direita, até a latinha do atum. E você? Imagine se fosse abrir a porta do carro AGORA. Qual mão você utilizaria?

Outra coisa muito comum que criamos padrões é acerca de uma trajetória que fazemos para chegar em algum lugar. Vamos para o trabalho sempre pela mesma rua, fazemos sempre o mesmo caminho para voltar. Vamos no mercado sempre pelo mesmo caminho, voltamos também pelo mesmo caminho. Troque essas rotas, passe por diferentes caminhos, isso faz com que seu cérebro utilize a memória para pensar em qual rua deverá pegar, bem como de repente notar construções novas que ficaram associadas a essa nova rua. A ideia é ir ao mesmo lugar por um caminho diferente. Lembre-se: “Todo caminho leva à Roma”.

 

3 – Troque Objetos de Lugar

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Você alguma vez trocou a sua lixeira de lugar e foi seco jogar o lixo até se dar conta que o cesto não estava mais lá? Sim, somos viciados a pensar em rotas fáceis para a resolução de um problema simples. Até o momento em que nos deparamos com um buraco mental. Esse buraco ativa a memória recente: “Onde foi que eu coloquei o lixo?”. Consegue perceber?

Experimente fazer isso HOJE e perceba quantas vezes você vai até onde o antigo lugar que o cesto de lixo estava. Perceba quanto seu comportamento está automatizado.

 

4 – Amplie Seus Sentidosshutterstock_80750635

 

A memória a curto prazo vai se enfraquecendo quando ela acha que conhece todo o mapa. Mas lembre-se de um dos princípios da PNL que, ao meu ver, é um dos mais importantes: “O mapa não é o território”.

Treine seus sentidos. Uma ótima forma de começar a treinar seus sentidos é tomando banho totalmente de olho fechado. Você não precisa fazer isso todo dia, pode fazer apenas uma vez na semana. Experimente utilizar só o tato, localize as torneiras, ajuste a temperatura da água, pegue o sabonete, o shampoo, creme de barbear… Sem dúvida irá perceber texturas que antes talvez passassem despercebidas.

Esse treino é excelente para você que pratica Palácio das Memórias, uma das técnicas mais incríveis do mundo para memorização.

 

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5 – Leitura Em Voz Alta

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Ler em silêncio não cria a mesma atividade cerebral do que ler em voz alta. A leitura em silêncio pode ser cansativa e monótona, ainda mais nos dias de hoje em que temos que lidar com diversos fatores que nos preocupam no dia-dia.

Portanto, para ter uma melhor absorção de alguma matéria ou conteúdo, a leitura em voz alta é muito recomendada. Isto porque o som das palavras agem como algo sensível aos nossos sentidos, criam ondas quais o cérebro precisa captar e transmitir, assim processar (igual uma antena de tv). Exatamente por isso a leitura em voz alta é mais indicada quando queremos memorizar algo, nós conseguimos perceber isso quando estudamos para alguma prova.

Quando lemos a matéria em casa, em voz alta é uma coisa. Quando estamos com o papel lendo na sala, minutos antes, em voz baixa, nossa, parece que soltaram uma bomba atômica nas nossas mãos para defusar e futuro do planeta depende de nós. PARE DE LER NA SALA DA PROVA SE VOCÊ JÁ TIVER ESTUDADO! Você já está ansioso nesse momento, tudo o que você não precisa fazer é desperdiçar a sua santa concentração com uma leitura interna, criando um estado mental negativo por causa da ansiedade para logo começar a fazer aprova.

Na verdade essa é uma teoria minha, mas que sempre funcionou para mim. Tente com você. Leia em voz alta na sua casa, com tesão, razão e como se fosse um EXPERT no assunto, você criará conexões parecidas com o EXPERT, pois está em um local que conhece, criando um padrão baseado na razão e calma, podendo esclarecer pontos se quiser e tudo mais. Não entrará em pânico como se estivesse lendo igual um leigo e não entendendo bulhufas 1 minuto antes da prova.

 

6 – Aprenda Algo Novo

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Quando aprendemos algo novo (esporte, artes, ciência) estamos trabalhando a nossa capacidade de armazenar rapidamente conceitos, técnicas e habilidades sobre determinada matéria. Passamos até mesmo a criar uma realidade sobre aquele assunto e, à medida que o tempo passa, e continuamos realizando e praticando determinada atividade, passamos a acoplar aquele conhecimento na nossa realidade.

O aprendizado de novas habilidades como: fotografia, culinária, yoga, estudo de um novo idioma faz com que o cérebro passe a buscar outras rotas e, como vimos, aumenta atividade mental e faz os dentritos trabalhar.

 

7 – Identifique Algo Que Ninguém
Mais Viu Em Algum Lugar

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Procure por manchas nas paredes, ou algo bem peculiar a algum lugar, que você pense que só você parou para reparar aquilo. Pode ser uma mancha, ou um respingo de tinta, um rasgo no meio de uma folha em determina árvore. É um exercício diferente, mas que também faz a sua atividade mental trabalhar.

Ao armazenar essa informação você a etiquetará como algo importante e com o tempo e prática poderá entender como funciona o processo de etiquetamento de memórias importantes, podendo incrementar quando precisar no dia-dia.

Bem, é isso sobre memória a curto prazo.

Espero que possa ter te ajudado sobre esse assunto que acredito ser fantástico…

Não perca por esperar as nossas novas publicações, vamos fazer um apanhado geral com definições e técnicas sobre todos os tipos de memórias humanas e também você aprenderá sobre o palácio da memória, uma técnica utilizada pelo maior recordista mundial de memória, oportunidade única de aprender como essa técnica funciona e age na sua mente.

Um grande abraço e até a próxima!

Bibliografias:
Baddeley – The Episodic Buffer: a new componente of working memory?

 

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Eduardo Vaz

Eduardo Vaz

Bacharel em Direito, Conciliador do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, Hipnólogo formado por Olimar Tesser, Practitioner de Hipnose, Estudioso da Área Linguagem Corporal, Microexpressões Faciais, Leitura Fria, Mentalismo, Vidência, Membro da IFGE (The International Foundation for Gender Education), Empreendedor Digital na Área de Marketing Digital e Relações Humanas, Administrador e Colaborador do Site Body Language Brazil.

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