Pegadinha da Cabine de Fotografia – Uma Análise Sobre as Expressões Faciais de Surpresa e Medo
Eduardo Vaz (92 artigos)
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Pegadinha da Cabine de Fotografia – Uma Análise Sobre as Expressões Faciais de Surpresa e Medo

Como se revela no rosto das pessoas o medo? Como você pode descobrir se a pessoa quando olha para você e se diz surpresa, realmente está surpresa? Como avaliar as emoções de Surpresa e Medo no outro? Hoje separei uma pegadinha bem engraçada para conversarmos um pouco sobre as emoções de surpresa e medo.

Todo mundo que já assistiu Lie To Me e foi procurar um embasamento para as técnicas apresentadas no seriado sabe que Paul Ekman é um dos nomes, senão o mais influente no ramo da análise da Linguagem Corporal e Microexpressões Faciais. Ekman tem grande renome porque coordenou um estudo acerca da universalidade das emoções. Ele propôs que existem cinco emoções inerentes a todos os seres humanos (surpresa, medo, raiva, nojo, desprezo e felicidade), seja na América, Europa, Ásia, África etc.. e então passou a dedicar sua vida para comprovar sua tese – trabalho notório desenvolvido por mais de 20 anos de estudos.

Bem, agora que já sabemos como se popularizou o nome de Ekman acerca das microexpressões e análise das emoções, devemos também destacar que o grande pesquisador em sua obra “A Linguagem das Emoções” trata muito bem do tema que separei para conversarmos. Inclusive abordando em conjunto a microexpressão facial de medo e surpresa. Antes de entrarmos um pouco na parte teórica, vamos analisar a pegadinha abaixo para você poder ter um embasamento real do que vou propor a te explicar. Ligue o som e no vídeo abaixo procure observar as emoções de MEDO e SURPRESA..

O que você faria no lugar daquelas pessoas? Será que você levaria um baita susto? Será que teria reações parecidas com as pessoas da pegadinha? Não é à toa que surpresa e medo andam juntas…

Medo, Panico Pavor Raiva e Medo

 

A Surpresa – Expressões e Microexpressões Faciais

Surpresa

A surpresa é a mais breve de todas as emoções. Dura, no máximo, alguns poucos segundos. Logo a surpresa passa, quando entendemos o que está acontecendo. Então a surpresa se mistura ao medo, à diversão, ao alívio, à raiva, à aversão etc., dependendo do que nos surpreendeu. Também pode ser seguida de nenhuma emoção, se determinarmos que o evento surpreendente não teve consequências. Ao tirarmos uma foto com uma pessoa, realmente é raro vermos uma fotografia de surpresa. Arrisco a dizer que se a pegadinha acima não fosse filmada, somente um fotógrafo experiente (e olhe lá) conseguiria captar o instante de surpresa de cada pessoa.

Isso acontece porque a surpresa é a emoção que sentimos quando nosso cérebro não conseguiu entender uma situação. Por isso, gera um alerta de amplitude dos seus sentidos, como se lhe dissesse: “Atenção! Preciso entender o que está havendo!”. Seus olhos se abrem, a tal ponto que se consegue enxergar a esclera; as sobrancelhas se levantam e a boca fica aberta.

Uma característica essencial da surpresa: ela é a mais breve das emoções que sentimos, não dura mais que um segundo. Uma surpresa que se prolongue por mais tempo certamente é mentirosa.

Assim como ocorreu na pegadinha vista: Imagine você com um conhecido indo tirar uma foto na cabine. De repente surgem dois caras assustadores dizendo que você vai morrer. A surpresa, que nesse caso quase todos chamaríamos de susto, dura tão comente o necessário para entendermos o que está havendo. Assim que percebe as intenções do sujeito e vê que ele tá com um machado na mão e cheio de sangue, você não está mais surpreso – provavelmente passou a sentir medo.

A Aparência da Surpresa

Surpresa

Wanderson Castilho, um perito brasileiro que participou dos programas de aprendizagem sobre as microexpressões humanas desenvolvido por Ekman, descreve muito bem como a surpresa se revela na face humana. Nas palavras do mestre:

As sobrancelhas ficam curvadas e altas. Com isso, a pele sob elas fica esticada e mais visível que o usual. Em algumas pessoas, o erguimento das sobrancelhas produz longas rugas horizontais que atravessam a testa. Atenção: erguer a sobrancelha, apenas, não indica surpresa, mas aponta para um sinal emblemático de dúvida ou questionamento. (…) Os olhos ficam muito abertos, a tal ponto que é possivel ver a esclera (parte branca do globo ocular). As pálpebras inferiores estão relaxadas, e as superiores erguidas. (…) A mandíbula cai durante a expressão  de surpresa, fazendo com que os lábios e os dentes se separem. A boca de surpresa é relaxada e não tensa. Os lábios não estão contraídos nem esticados para trás.

Claro que a análise da emoção irá depender do contexto que ela se apresenta. O que devemos ter em mente é que a surpresa é uma das microexpressões mais rápidas que existe cuja duração é de no máximo 1 segundo.

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O Medo – Expressões e Micro Expressões Faciais

A respeito do medo houve mais pesquisas do que qualquer outra emoção, provavelmente porque é fácil despertá-lo em quase todos os animais, incluindo o rato (espécie favorita dos pesquisadores). Algo que Ekman diz em sua obra é:

A ameaça ao dano, físico ou psicológico, caracteriza todos os gatilhos, temas e variações associadas ao medo. O tema é perigo de dano físico, e as variações podem ser qualquer coisa que aprendemos que pode nos fazer mal. Da mesma forma que a restrição física é um gatilho desprendido da raiva, há gatilhos desprendidos para o medo: algo arremessado através do espaço, rapidamente que nos atingirá se não nos esquivarmos; a perda inesperada de apoio causando uma queda do nosso corpo. A ameaça de dor física é um gatilho desaprendido para o medo, embora durante o momento da dor nenhum medo é sentido.

 

Há estudos (Ohman) que revelam sermos biologicamente preparados para ter mais medo de répteis do que de armas de fogo ou facas. No entanto, uma quantidade substancial de pessoas parece não ter medo de cobras; ao contrário, gostam do contato físico até mesmo com cobras venenosas.

Ekman cita que pesquisas descobriram três diferenciações possíveis do medo, dependendo se a ameaça é imediata ou iminente. Vejamos:

Primeiro, as ameaças diferentes resultam em comportamentos diversos – em geral a ameaça imediata conduz à ação (paralisia ou fuga) que reage a ela, enquanto o receio conduz à vigilância atenta e tensão muscular. Segundo: a reação a uma ameaça imediata é muitas vezes analgésica, reduzindo sensações de dor, enquanto o receio em relação a uma ameaça iminente aumenta a dor. E, por fim, é plausível sugerir que uma ameaça imediata e uma iminente envolvem áreas diferentes de atividade cerebral.

O que temos então é que o medo é uma emoção de preservação. Quando está a beira de um precipício, por exemplo, seu cérebro sabe que você irá morrer se tropeçar e cair, então, faz com que sinta medo.

O medo, como muitos estudiosos apontam, é uma emoção tóxica. Sentir medo por muito tempo pode levar a morte dependendo das condições físicas e psicológicas de uma pessoa. Lembra-se do último casal que entrou na cabine de fotografia? Será que se ele tivesse algum problema no coração ele não teria partido dessa para uma melhor? Um paciente cardíaco, por exemplo, precisa evitar ir a uma montanha russa ou assistir filmes de suspense.

A Aparência do Medo

Lembre-se que medo não é susto (sinônimo de suspresa) que sentimos numa montanha russa. Wanderson Castilho argumenta favoravelmente no sentido de que:

A surpresa é causada por algo inesperado. Ora, se você está num parque de diversões, comprou o ingresso para o brinquedo, aguentou vários minutos na fila, que surpresa pode haver no fato de, de repente, estar num carro de montanha russa? O que você sente quando ele começa a subir a primeira elevação, prestes a despencar, é medo, simplesmente. O medo é diferente da surpresa em alguns aspectos importantes: Medo é uma experiência ruim, a surpresa, não. Podemos sentir medo de algo que já sabemos que vai acontecer – a morte é o exemplo mais óbvio. E, infelizmente, o medo não é tão breve quanto a surpresa.

Feitas essas considerações acerca do MEDO e como ele tem sua origem, conforme Paul Ekman e Wanderson Castilho, vamos então para a aparência do medo, conforme segue abaixo…

Wanderson Castilho em sua obra, que diga-se de passagem é a parte prática do livro já citado aqui de Ekman, tem palavras bem certas sobre como a expressão facial do medo se dá, vejamos:

As sobrancelhas ficam erguidas, retas, quase emendadas uma à outra. Assim, formam-se as rugas, mas que não atravessam a testa, como na surpresa. Os olhos estão abertos, a pálpebra superior se ergue e a inferior tensiona. A tensão e o grau de erguimento da pálpebra inferior podem ser suficientes para cobrir parte da íris. A boca se abre e os lábios ficam esticados, tensos, com os cantos puxados para trás.

A foto ilustra bem como o medo se expressa.

Conclusão

Bom, hoje aprendemos sobre as emoções de surpresa e medo, conforme estudos de Paul Ekman e Wanderson Castilho.

Você pôde conferir que a surpresa é uma das emoções mais breves, sendo que ela dura no máximo um segundo. Você também pode ter uma ideia geral de como ela se esboça no rosto das pessoas.

Com relação ao medo, você pode ter uma noção sobre as diferenciações possíveis, bem como a surpresa também teve uma breve ideia de como o medo se esboça no rosto de alguma pessoa.

Falamos também sobre as diferenças cruciais de Supresa e Medo, além dos gatilhos que despertam ambas as emoções.

Espero que tenha sido produtivo…

Um grande abraço…

FONTES:
A Linguagem das Emoções (Paul Ekman)
Mentira – Um Rosto de Muitas Faces (Wanderson Castilho)

Eduardo Vaz

Eduardo Vaz

Bacharel em Direito, Conciliador do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, Hipnólogo formado por Olimar Tesser, Practitioner de Hipnose, Estudioso da Área Linguagem Corporal, Microexpressões Faciais, Leitura Fria, Mentalismo, Vidência, Membro da IFGE (The International Foundation for Gender Education), Empreendedor Digital na Área de Marketing Digital e Relações Humanas, Administrador e Colaborador do Site Body Language Brazil.

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