Linguagem Corporal: Poder e Dominação

A Linguagem Corporal da dominação e poder é uma dos grupos sociais de sinais.

Hogan acredita que a dominação e poder tem relação estreita com a linguagem corporal do Status, e em alguns casos trata-se da mesma coisa, mas existem pequenos nuances que o autor acredita merecerem destaque.

O Status em geral envolve diferenças a partir de títulos, heranças ou da hierarquia que se reconhecem dentro de um contexto maior – envolve grupos.

A dominação e poder, por outro lado, em geral refere-se ao poder e controle relativo que se estabelece dentro de relacionamentos ou interações. Pode ser demonstrada de diversas formas, a maioria delas envolvendo alguma diferença na posição relativa.

Para explicar a linguagem corporal da dominação e poder, Kevin Hogan utiliza-se de uma posição relativa em termos da elevação, da posição das mãos e de movimentos corporais.

 

ELEVAÇÃO

Hogan usa a palavra elevação para descrever a posição física relativa de duas pessoas quando uma é mais alta (ou ocupa um lugar mais elevado) do que a outra. Quanto maior a sua altura, maior a impressão de dominação e poder. Em uma conferência ou palestra, por exemplo, aquele que faz as apresentações se posiciona em uma plataforma elevada. Por quê? Para facilitar a observação a partir da plateia, claro, mas também para desfrutar de uma posição de superioridade. Fica claro para todos que ele controla, dá o ritmo e tem sua importância reconhecida.

A dominação e poder em um relacionamento pode se manifestar em uma conversa na qual um dos interlocutores fica sentado e o outro em pé, ou em uma poltrona diante da televisão, com uma pessoa sentada com o corpo ereto e a outra mal-acomodada, com o corpo inclinado. Em uma interação informal, a dominação e poder se manifesta quando uma das pessoas fica em pé, com as mãos apoiadas na borda da mesa, e a outra permanece sentada, ou quando uma ocupa o lugar mais alto de uma mesa em desnível, por exemplo.

A relação entre elevação e dominação e poder também está presente na nossa mídia. O herói de um filme em geral é mais alto que os outros personagens, o que lhe confere posição de superioridade. Algumas vezes,esse efeito exige o hábil uso das câmeras ou ajustes no cenário, tudo para criar uma aparência de diferença de altura e, por consequência, uma ideia de dominação e poder.

 


Outro exemplo: na próxima vez em que assiste a um programa de televisão com diversos participantes dispostos ao redor da mesa, observe como a estatura dos integrantes parece bastante uniforme. Em geral, a produção faz os ajustes necessários nas cadeiras para deixar todos na mesma altura e não transmitir a ideia de que é mais importante que os demais.

 

POSIÇÃO DAS MÃOS

 A posição relativa das mãos constitui outro indicador de dominação e poder. No passado, quando dois oponentes se encontravam, a saudação envolvia empurrões e cada um tentava manter as mãos em uma posição mais alta do que o outro. Quem conseguia era considerado dominador. A frase usada em inglês “have the upper hand” (ter a mão mais alta) significa controlar a situação e tem origem nesse tipo de comportamento.

 

A posição das palmas das mãos também é reveladora, pois quem se mostra com palma para baixo é considerado com mais poder do que quem posiciona as mãos da forma contrária. Na próxima vez em que duas pessoas se cumprimentarem com um aperto de mãos, observe: quem estende o braço com a palma da mão para baixo transmite uma mensagem de dominação e poder sobre o que “acolhe” a saudação com a palma voltada para cima.

A dominação e poder da posição das mãos se manifesta até mesmo quando um casal passeia de mãos dadas. A pessoa dominante irá segurar a mão da outra com a palma voltada para trás e um pouco mais acima, enquanto a outra posiciona sua mão com a palma para frente e um pouco mais para baixo. Quando um pai ou uma mãe segura o filho para atravessar a rua, por exemplo: quem coloca a mão em posição de dominação e poder? Acertou quem disse: os pais.

 

MOVIMENTO DO CORPO

A expressão corporal geral também pode expressar dominação e poder. O deslocamento rumo a outra pessoa ou posicionamento em frente a ela podem ser considerados comportamentos dominantes. Por quê? Porque o dominador se desloca para uma posição relativa mais elevada, próxima, frontal ou de alguma maneira mais associada à força do que a do outro.

Vejamos um exemplo do mundo real. Em uma sala de aula de uma escola fundamental, as crianças em geral fazem fila para poder se deslocar de um lugar para o outro – almoçar, ir para o recreio, para a biblioteca etc. A parte da fila é mais disputada porque está associada à liderança, e por isso os alunos não poupam esforços para ocupar os primeiros lugares. Alguns professores escolhem quem será o primeiro da fila naquele dia ou semana, para que todas as crianças ocupem o posto uma vez e tenham a experiência em uma posição de dominação e poder.

 


Outro exemplo ocorre quando dois indivíduos discutem. Quando o conflito aumenta, ficam claros os movimentos corporais de aproximação (inclinação do corpo para frente), em vez de sinais de afastamento. O controle da distância e dos movimentos são comportamentos que revelam dominação e poder. Por isso, quando duas pessoas disputam o controle e ninguém recua, a situação tende a se intensificar cada vez mais.

 


Bem, era isso…
 

Espero que tenha gostado… 

Um grande abraço… 

Fonte:
Kevin Hogan – A Linguagem Secreta dos Negócios (ADAPTADO)
Eduardo-Vaz3